quinta-feira, 19 de março de 2009

Poetas e Poetisas



ESPELHO
Sou prata e exato.

Eu não prejulgo.

O que vejo engulo de imediato

Tal qual é, sem me embaçar de amor ou desgosto.

Não sou cruel, tão somente veraz —

O olho de um deusinho, de quatro cantos.

O tempo todo reflito sobre a parede em frente.

É rosa, com manchas. Fitei-a tanto

Que a sinto parte de meu coração. Mas vacila.

Faces e escuridão insistem em nos separar.


Agora sou um lago.

Uma mulher se inclina para mim,

Buscando em domínios meus o que realmente é.

Mas logo se volta para aqueles farsantes, o lustre e a lua.

Vejo suas costas e as reflito fielmente.

Ela me paga em choro e agitação de mãos.

Sou importante para ela. Ela vai e vem.

A cada manhã sua face reveza com a escuridão.

Em mim afogou uma menina, e em mim uma velha

Salta sobre ela dia após dia como um peixe horrendo.

(tradução de Vinicius Dantas)


Sylvia Plath nasceu em Boston, EUA, em 1932. Teve uma passagem melancólica por Nova York, tentou o suicídio por mais de uma vez, casou em 1956 com o poeta inglês Ted Hughes, foi com ele para Cambridge, Inglaterra. Teve dois filhos. Descasou em 1962, escreveu seus poemas capitais, publicados postumamente no volume Ariel (1965), sua obra mais importante. Dois anos antes, em 1960, lançara o seu primeiro livro, Colossus.
Em 11 de fevereiro de 1963, Sylvia Plath aos 30 anos de idade cometia suicídio inspirando gás na cozinha de sua residência.
(publicado no jornal "A Província do Pará" em 1983, na coluna literária GRÁPHO do poeta Age de Carvalho)

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