quinta-feira, 26 de março de 2009

"Penso que nunca acreditei nas poucas palavras de amor que me disseste ou nas muitas que n ousaste pronunciar; como era complicada minha maneira de te amar! Agora entendo o quanto te fiz sofrer, e quanta coisa joguei fora para mante - las longe de nós.Por alguns momentos, acreditei que tudo o que foi afastado jamais retornaria. Então perguntei as nossas almas se tinha razão. Não escutei nenhuma resposta imediata, mas logo a visão de uma montanha apareceu diante de mim. E eu entendi que a culpa n tinha sido do meu coração, mas da falta dele.Peço perdão por tudo que tentei destruir, e pela dor que te causei. Meu amado, parece que n escrevo para vc, mas com vc. E os dias são mais tranquilos, porque vc está sempre ao meu lado.Nas serras, onde quer que se vá, pode - se escutar sempre o barulho da água correndo nos rios. Da mesma maneira, onde quer que eu esteja posso perceber os teus sentimentos fluindo por meu coração".

quarta-feira, 25 de março de 2009

O equívoco do amor


A paixão é o resultado da primeira vista, dos primeiros detalhes do território encontrado, da mesma forma como a antipatia natural. A pessoa apaixonada vive uma experiência estranha de projetar o outro como o maior acontecimento de sua vida. É sempre assim. Todo apaixonado acha que agora encontrou o amor de sua vida. Mas, com o passar do tempo, se esse conhecimento não o conduzir ao encontro real, concreto, de defeitos e virtudes pelos quais ele ainda continua apaixonado, a paixão dá espaço à desilusão e ao rompimento. O amor só pode acontecer nas pessoas que atravessaram a ante - sala da paixão. Somente depois de conhecidos limites e virtudes é que o amor é real.

É por isso que as relações humanas são como pontes. estamos sempre em travessia. Há sempre uma distância a ser percorrida, um passo a mais a ser dado no conhecimento do outro.

Pontes são simbólicas. Elas estabelecem vínculos. Quanto mais construimos pontes, muito maior será a possibilidade de conhecermos verdadeiramente aqueles que fazem parte do nosso mundo.

É a atitude simbólica, que constrói e facilita os vínculos.


.... O rapaz pensou que amava. A moça estava certa do amor que sentia. Duas pessoas numa mesma relação e com perspectivas distintas. Namoro e casamento em um curto espaço de um ano. Ele, um advogado já bem sucedido, apesar da pouca idade. Ela, uma contadora formada que ainda não sabia o que fazer com o diploma que recebeu da faculdade.

O rapaz creceu num contexto de muitas exigências. Ele não fora educado para perder. Desde muito cedo fez da sua vida uma coleção de reconhecimentos e premiações. (...) Em casa, prevalecia uma frieza na relação com os pais. Amor real, mas amor distante, coisa de quem não descobriu a beleza de poder ser frágil e de ter um colo de mãe onde se possa chorar.

A moça ao contrário do rapaz, possuía uma fragilidade assumida. Cresceu num ambiente mais afetuoso, porém menos exigente.

os dois tinham riquezas ; os dois tinham pobrezas. E assim eles se casaram. A relação foi fortemente marcada por conflitos. Depois de alguns anos juntos, o casamento se desfez.

Relações dessa natureza são comuns entre nós. Sequestros velados. Pessoas que, na incapacidade de compreender os limites de suas histórias pessoais, passam a buscar nos outros os preenchimentos de suas lacunas. Amores que não são amores. Amores que se caracterizam como competições sórdidas, desumanas, ainda que pareçam cuidado e atenção.

Nem sempre nossas intenções são conscientes. Nem sempre agimos com clareza. Boa parte de nossas reações e atitudes obedecem à ordem de nosso mundo inconsciente, em que a vida passada permanece atuando e determinando nosso jeito de ser. Tomar consciência das intenções que norteiam nossos atos é o primeiro passo para reorientarmos nossa conduta, retirando do amor que amamos o poder tão destruidor que tantas vezes lhe é inerente.

(...) O casamento se desfez e o fracasso se instaurou de forma avassaladora.

Não houve tempo para o amor real. O que houve foi a construção de uma realidade fortemente marcada pelo desconhecimento pessoal. Relação diabólica, infértil e imatura. Ambos perderam.
Fonte: Livro: Quem me roubou de mim? O sequestro sa subjetividade e o desafio de ser pessoa.

sábado, 21 de março de 2009

Uma história para começar


"Ela veio de longe. Filha de uma família libanesa, chegou ao Brasil acompanhada de um parente distante. Os pais já estavam mortos. Veio ao encontro de um tio que morava por aqui. A idade era pouca. A solidão muita. Chegou, e já tinham arranjado um casamento para ela. Não soube se opor. Estava frágil demais para querer alguma coisa. Casou - se na primeira semana que pisou em nossas terras.

Trinta de dois anos se passaram. Oito filhos; sete homens e uma mulher. Cinco netos e uma história de sofrimento que parece ter saído de algum clássico da literatura. Nunca houve amor entre ela e o marido. Nos primeiros dias de convivência ele deixou claro, por meio da sua conduta, que a vida ao seu lado não seria fácil. Ela não soube discordar. As primeiras agressões foram mantidas em segredo. Mais tarde, elas se tornaram públicas. Pouco a pouco, o respeito deixou de existir por completo.

A mulher não sabia sorrir. Em nenhum momento de nossa conversa consegui identificar nela algum rastro de alegria ou esperança. Os filhos já criados herdaram do pai a mesma personalidade. A única filha mulher rebelou -se contra a estrutura familiar e foi embora para nunca mais voltar.

A mulher não sabia o que me pedir. Esta profundamente abatida com a morte trágica de seu marido. Estava confusa. Sentia no peito um alívio, mas ao mesmo tempo sentia o peso de não saber por onde recomeçar. Confessou ter medo de tudo. Medo da vida, medo da morte, medo dos filhos, medo do marido morto.

Suas noite de sono eram poucas. Vivia constantemente anciosa, como se o marido fosse voltar a qualquer momento. ouvia os seus gritos, e tinha sempre a sensação de que ele estava andando pela casa.

(...)

Ela foi vítima de um sequestrador. Foi vítima de um roubo cruel. Não, não foi um roubo material, mas um roubo mais profundo. O sequestrador chegou no momento em que sua vida estava frágil. Descobriu nela uma vítima fácil. Agiu de forma violenta. No princípio, uma violência velada; depois, a violência declarada, gritada para quem quisesse ouvir.

Sem muitas possibilidades na vida, a mulher submeteu - se ao tratamento cruel; assumiu a condição de vítima. Com o tempo, desaprendeu a ser livre. Mesmo agora, com as portas de seu cativeiro abertas e sem a ameaça de seu agressor, ela não sabia mais dar o passo em direção à liberdade que lhe cabia. A violência foi tão profunda que, mesmo com a morte do sequestrador, ele ainda mantinha sua vítima acorrentada.

Este é um caso clássico de sequestro da subjetividade; esta espécie de roubo da alma; este absurdo que costuma morar ao nosso lado, ou dentro de nós"....

Fonte: Livro Quem me roubou de mim? O sequestro da subjetividade e o desafio de ser pessoa - Padre Fábio de Melo

Quem me roubou de mim. Uma pequena introdução

" A vida humana é uma constante experiência de travessia. Estamos em êxodos contínuos, em processos de deslocamentos intermináveis, porque, enquanto estivermos vivos, seremos convidados para o movimento que nos proporciona a superação de estágios, condições e atitudes.
O seu humano se encontra em constante evolução. Nunca estará completo. A morte nos surpreenderá e ainda estaremos em processo de feitura. Um destes processos é a travessia: " da condição de indivíduos à condição de pessoas". É simples. Nascemos indivíduos, mas a condição de pessoa é um lugar a ser alcançãdo. precisamos, pela força do parefeiçoamento, chegar aos dois pilares sobre os quais o conceito de pessoa se estabelece. Ser pessoa consiste em " dispor de si e dipor - se aos outros".
O sequestro da subjetividade é um acontecimento que atenta diretamente contrea o primeiro aspecto deste processo: " a disposição de si".
Toda relação que priva o ser humano de sua disposição de si, de sua presença, ou seja, a capacidade de administrar a própria vida, de alguma forma caracteriza - se como " sequestro da subjetividade".
(...) Sempre que uma pessoa é retirada de seu mundo particular, e subjugada aos maus tratos de um cativeiro, inicia - se nela um processo terrível de rendição que a colocará na condição de vítima. Vitimada, deixa de ser proprietária de seu destino e passa a obedecer às ordens de seu sequestrador.
A partir dessa forma de sequestro nasce o mal - estar psicológico, o sofrimento que não tem localidade no corpo, mas possui o poder de adoecê - lo, fragilizando profundamente o ser que sofre, uma vez que o sequestro lhe retira da centralidade de suas próprias decisões.
São muitas as modalidades de sequestro da subjetividade. Qualquer forma de relação humana corre o risco de se transformar em roubo, perda de identidade, basta que as partes se percam de seus referenciais e se ausentem de si mesmas. Marido e mulher, namorados, pais e filhos, traficantes e dependentes, amigos, dirigentes e dirigidos, enfim, são muitas as relações que representam perigo à nossa subjetividade. Requer prudência, cautela, para que não sejamos vítimas ou vitimadores"...

Eis uma história para começar....

Fonte: Livro Quem me roubou de mim? O sequestro da subjetividade e o desafio de ser pessoa - Padre Fábio de Melo

quinta-feira, 19 de março de 2009

Poetas e Poetisas



ESPELHO
Sou prata e exato.

Eu não prejulgo.

O que vejo engulo de imediato

Tal qual é, sem me embaçar de amor ou desgosto.

Não sou cruel, tão somente veraz —

O olho de um deusinho, de quatro cantos.

O tempo todo reflito sobre a parede em frente.

É rosa, com manchas. Fitei-a tanto

Que a sinto parte de meu coração. Mas vacila.

Faces e escuridão insistem em nos separar.


Agora sou um lago.

Uma mulher se inclina para mim,

Buscando em domínios meus o que realmente é.

Mas logo se volta para aqueles farsantes, o lustre e a lua.

Vejo suas costas e as reflito fielmente.

Ela me paga em choro e agitação de mãos.

Sou importante para ela. Ela vai e vem.

A cada manhã sua face reveza com a escuridão.

Em mim afogou uma menina, e em mim uma velha

Salta sobre ela dia após dia como um peixe horrendo.

(tradução de Vinicius Dantas)


Sylvia Plath nasceu em Boston, EUA, em 1932. Teve uma passagem melancólica por Nova York, tentou o suicídio por mais de uma vez, casou em 1956 com o poeta inglês Ted Hughes, foi com ele para Cambridge, Inglaterra. Teve dois filhos. Descasou em 1962, escreveu seus poemas capitais, publicados postumamente no volume Ariel (1965), sua obra mais importante. Dois anos antes, em 1960, lançara o seu primeiro livro, Colossus.
Em 11 de fevereiro de 1963, Sylvia Plath aos 30 anos de idade cometia suicídio inspirando gás na cozinha de sua residência.
(publicado no jornal "A Província do Pará" em 1983, na coluna literária GRÁPHO do poeta Age de Carvalho)

terça-feira, 17 de março de 2009

"Canto o Que no Coração Tenho Escrito
Se ao ler esta poesia, você sentir o mesmo prazer que eu sentiao escrevê-la, terá sido esse um grande acontecimento".

Não se esquece um amor quando ausente.
Nem mesmo se perde a ternura.
Quem ama, vive eternamente,
Porque o amor é forte e sempre dura.

Então, quis Amor que eu tivesse,
Em breves linhas sentimentos tão diversos;
Contudo, sem que aviso desse,
Me fez escrever estes versos...

Doces momentos de amor ardente
Em meus pensamentos se fixaram;
Os abraços e as carícias confirmaram,
Que para mim bastava amor somente.

Por isso, tenho tão presente
A lembrança das coisas que passaram
,Que as românticas horas me ensinaram
A querer te amar eternamente.
~ Arnaldo Poesia ~Arraial do Cabo, 11-1-1999

O Amor



O Amor

E alguém disse:

Fala-nos do Amor:

- Quando o amor vos fizer sinal, segui-o;

ainda que os seus caminhos sejam duros e difíceis.

E quando as suas asas vos envolverem,

entregai-vos;

ainda que a espada escondida na sua plumagem vos possa ferir.


E quando vos falar, acreditai nele;

apesar de a sua voz

poder quebrar os vossos sonhos

como o vento norte ao sacudir os jardins.


Porque assim como o vosso amor

vos engrandece,também deve crucificar-vos.

E assim como se eleva à vossa altura

e acaricia os ramos mais frágeis

que tremem ao sol,

também penetrará até às raízes

sacudindo o seu apego à terra.


Como braçadas de trigo vos leva.

Malha-vos até ficardes nus.

Passa-vos pelo crivo para vos livrar do joio.

Mói-vos até à brancura.

Amassa-vos até ficardes maleáveis.


Então entrega-vos ao seu fogo,

para poderdes ser

o pão sagrado no festim de Deus.


Tudo isto vos fará o amor,

para poderdes conhecer os segredos

do vosso coração,

e por este conhecimento vos tornardes

o coração da Vida.


Mas, se no vosso medo,

buscais apenas a paz do amor,

o prazer do amor,

então mais vale cobrir a nudez

e sair do campo do amor,

a caminho do mundo sem estações,

onde podereis rir,

mas nunca todos os vossos risos,

e chorar,

mas nunca todas as vossas lágrimas.


O amor só dá de si mesmo,

e só recebe de si mesmo.

O amor não possui nem quer ser possuído.

Porque o amor basta ao amor.

E não penseis

que podeis guiar o curso do amor;

porque o amor,

se vos escolher,

marcará ele o vosso curso.


O amor não tem outro desejo

senão consumar-se.

Mas se amarem e tiverem desejos,

deverão se estes:

Fundir-se e ser um regato corrente

a cantar a sua melodia à noite.


Conhecer a dor da excessiva ternura.

Ser ferido pela própria inteligência do amor,

e sangrar de bom grado e alegremente.

Acordar de manhã com o coração cheio

e agradecer outro dia de amor.

Descansar ao meio dia

e meditar no êxtase do amor.


Voltar a casa ao crepúsculo

e adormecer tendo no coração

uma prece pelo bem amado,

e na boca, um canto de louvor.
Kahlil Gibran

Frases


..."Há momentos em que sei

que não há distância entre aqueles que se amam."

Kahlil Gibran

segunda-feira, 16 de março de 2009

Uma Carta de Amor


"Eu fui tocado pela sua presença desde a primeira vez que a vi; foi numa exposição de meus desenhos, no estúdio do Sr. Day. Você estava usando salgo de prata em torno do pescoço, e aproximou - se de mim, perguntando:"Será que eu posso exibir alguns destes quadros na escola onde leciono"?
Eu concordei e na medida que conversávamos, sentia-me melhor e melhor. Quando fui pela primeira vez até a sua casa, senti que a atmosfera do lugar - os livros, a maneira de arrumar a casa - tinha uma profunda identificação comigo. Gostei da maneira como conversamos, e do jeito suave com que você me fez falar de mim mesmo.
Você fez muitas perguntas, e algumas vezes me senti encabulado; mas, graças ao seu espírito e inteligência, terminei contando tudo que queria saber.As outras pessoas me acham interessante. Elas gostam de me ver falar, porque eu sou uma pessoa diferente.
. Para elas não passo de um divertimento, que logo será esquecido quando algo mais curioso aparecer.Você, entretanto, foi capaz de arrancar o que havia de profundo em mim, sentimentos que raramente compartilhei com alguém. Isto foi ótimo -e continua sendo.
Ficamos amigos.
E um dia você me perguntou se eu precisava de dinheiro para ir até Paris. Até aquela data, sempre tinha recusado este tipo de ajuda, mas você me disse algo sobre o dinheiro que nunca vou esquecer: ele é impessoal, não pertence a ninguém, apenas passa por nossas mãos. O dinheiro não é uma posse, mas uma responsabilidade, e cabe a nós dar - lhe o destino certo.
Fui a Paris, sempre tendo ao meu lado a sua imagem, sua fé, e sua ternura. Ali, eu reparei que, ao invés de ver apenas a cidade, estava estudando a mim mesmo , e vendo como a nossa realção começava a afetar meu cotidiano.Mesmo com você distante, sua presença me acompanhava por ruas, praças, e cafés.
Então eu lhe pedi em casamento.
A partir deste dia, você começou a ferir-me. E continuou me ferindo. Eu sofria, mas cada vez que nos encontrávamos - nesta época, a gente se via duas vezes por semana - você falava: "Kahlil, creio que lhe magoei na quarta - feira passada" - ou na sexta, ou seja quando tivesse sido. Perdão. Você dizia. " Não pretendia fazer isto".(.....)
Eu precisava me proteger, e passei a dizer a mim mesmo: “qualquer relação mais íntima com esta mulher é impossível.”. Claro que esta estratégia não funcionou, nem mesmo quando eu lhe disse o que acontecia comigo. Mas a partir daquele instante, você nunca mais me feriu.
Tudo que estou contando, é apenas para que saiba como vi os nossos primeiros anos juntos. As coisas mais profundas jamais mudaram; a identificação que tive, o reconhecimento, a paixão do primeiro encontro - tudo isto continua igual, e assim continuará para sempre. Eu a amarei por toda a eternidade, como já a amava muito antes de vê-la pela primeira vez, e chamo isto de Destino.Nada pode nos afastar; nem eu, nem você podemos mudar esta relação. Eu quero que você se lembre pelo resto dos seus dias, que você é a pessoa mais importante do meu mundo. Que, mesmo que você casasse sete vezes, com sete homens diferentes, tudo continuaria igual em meu coração...
E hoje, também entendo que o nosso casamento era impossível. Ele teria destruido a ambos. Nossa vida em comum terminou sendo guiada de uma maneira diferente, e por isso fomos salvos. Você me ajudou a descobrir a mim mesmo, e ao meu trabalho. Eu penso que fiz o mesmo com você, e agradeço aos Céus por estarmos juntos".
Kahlil Gibran

domingo, 15 de março de 2009

DESABAFOS

Hoje resolvi desabafar um pouco.
Acabei de chegar de BH, fui fazer um concurso. Encontrar meu lugar ao sol, ter um emprego fixo e um salário digno. Mas observando o cenário atual, fico me perguntando se realmente é o caso?!? Talvez fosse mais fácil voltar aos primordios da civilização, ir morar no mato, comer o que cultivar da terra, andar nú....mas o mundo está "maluco": Santa Catarina, Minas Gerais e Rio de Janeiro que o diguem. O ano começou catastrófico. ( é bem capaz de never e morrermos congelados com essa ideia de nudismo) fora a briga por um pedaço de terra. Questão de morte.
Por falar em morte, mais um assunto repercutiu esse ano: o estupro (que muita gente diz estrupro) e o aborto que a menininha de 9 anos sofreu. Estou besta de n ter ouvido ainda que a culpa foi dela. Que ela é que seduziu o padastro (pobre homem)..... Nesse ponto entrou a Igreja Católica e excomungou meio mundo. Gostaria de entender pq sinceramente n consigo e olha que já li depoimento de vários padres, bispos, irmãs de caridade... enfim. N estou entendendo muito bem qual foi o significado da vinda de Cristo ao mundo. Pq o padastro estuprar, dilacerar a vida de uma criança parece ser normal. A mãe sofrer com o sofrimento da filha parece ser pecado mundial. E Deus???? Como será que Deus que a raça humana o coloca ainda numa dimensão mais distante? Pq será que na época de Adão e Eva, Abraão, Moisés, Jó e outras figuras biblicas conseguimos ver relatos de passos de Deus sobre a terra e agora ele parece tão distante??? Naquela época Deus falava, era possível ouvir a voz dele. Ele se dirigia aos profetas, aos escolhidos e agora? Será que diante de tanta barbaridade Ele emudeceu?????
Talvez, pq são tantos acontecimentos, tantas desgraças a pedofilia virou moda, atacar e invadir um país tb, quer dizer n precisa ser país n, fazendas, propriedades privadas, repartições públicas....
Outra questão que tira qualquer um do sério, pelo menos eu n aguento mais é o assunto tráfico de drogas: "que fraz mal todo mundo sabe, que mata todo mundo sabe, mas já que todo mundo sabe pq n libera essa MERDA logo, pelo menos com a legalização surgiriam impostos e acabaria com o poder paralelo dos traficantes. Mas será que o dinheiro arrecadado iria para algum investimento voltado pro bem da sociedade ou seria desviado????
Tb n sei depois de hj, dessa prova, de tantas notícias bombásticas durante a semana nada mais me surpreenderia. Nada? Vejam esse video no youtube:http://www.youtube.com/watch?v=dzuGJEVVsOY

sábado, 14 de março de 2009

Pietá

Pietá
Eu quero aprender com os acontecimentos। É um jeito de restituir a vida। É um jeito de consolar as mães e, quem sabe assim, ressuscitar os meninos.
A mulher parecia absorvida em sua dor. Trazia no rosto as marcas de um acontecimento que não combina com o tempo. Os dois anos já passados pareciam estacionados em seus olhos, como se a vida não pudesse mais realizar o seu processo natural de prosseguir. Há acontecimentos que não cabem no tempo. Uma dor não dura o mesmo tempo que o fato que a provoca. Ela vai além, muito além. A dor é uma extensão da vida.
O fato foi terrível. Aquela mulher encontrou o seu menino morto na piscina de sua casa. Teve também que retirá-lo das águas. Pegou-o ao colo, assim como tantas outras vezes. Aconchegou-o no peito, assim como nas noites em que o alimentava para que pudesse voltar a dormir tranqüilo. O amor é assim: é feito de madrugadas; feito de silêncios que atribuem sentidos; feito de olhares que contemplam os que amamos como continuidade do que somos. Aquela mulher sabia de tudo isso.
Ao retirar das águas o seu menino já sem vida, aquela mulher parecia cumprir no tempo o prolongamento da escultura de Michelangelo, Pietá (1498), a virgem que segura nos braços o seu filho morto. Pietá é a metáfora da dor materna que não tem nome. A morfologia de um sofrimento agudo que nos retira a fala e que nos dificulta as respostas.
Tive oportunidade de ouvir o seu relato. Contou-me com lágrimas teimosas o acontecido. O cenário era sugestivo. Estávamos à beira do rio Jordão, lugar onde Jesus foi batizado. Ela se aproximou e eu tive a graça de renovar o seu Batismo. Ao derramar água sobre a sua cabeça, foi inevitável o pensamento que me ocorreu. Um pensamento que de alguma forma já se estabelecia como prece. No meu coração, eu pedia a Deus que aquela mulher fosse capaz de retirar definitivamente o seu filho das águas. Pedi ao Senhor da vida que a ajudasse a sepultar o seu filho. Não o sepultamento do esquecimento, mas o que proporciona a ressurreição; aquele que nos dá coragem de olhar para a dor sem que ela nos sufoque.
Logo depois do gesto, enchi-me de coragem e recomendei-lhe com ternura: “Retire o seu menino das águas! Saia da beira da piscina e permita que a vida continue!”. Ela sorriu serena e disse que tentaria. Mais tarde, ela me pediu que escrevesse a frase dita. Eu escrevi. Mas resolvi escrever aqui também. Pode ser que essas palavras caiam nas mãos de pessoas que estejam com dificuldades de permitir o movimento da vida. Pode ser que hoje esse pequeno texto venha encontrar alguém que esteja paralisado pela dor, impossibilitado de prosseguir.
A virgem da piedade encontrou no filho a causa do seu prosseguimento. Pietá só é bela, porque conhecemos a sua continuidade. O filho ressurgiu. Aquele momento não é o definitivo. A dor é a ponte que a fez chegar ao lugar mais belo de seu coração. É a vida. E eu gostaria que não fosse assim. Que meninos não morressem antes da hora. Mas não posso mudar a ordem dos acontecimentos. O que posso é silenciar-me diante da cena e pedir que Deus nos encaminhe para o aprendizado que o acontecimento pode nos trazer.fonte: revista Ir ao Povo
fabiodemelo.com.br - © 2003/2008
Estou começando agora. Toda ajuda é bem vinda.

Outonos e Primaveras


Não poderia deixar de escrever aqui o texto que deu origem ao meu Blog. O autor não poderia ser outro. Padre Fábio de Melo. Esta é tb uma forma de homenagear esse grande homem. Muito obrigada por suas palavras que transformam minha alma.


"Outonos e primaveras...


Primavera é tempo de ressurreição. A vida cumpre o ofício de florescer ao seu tempo. O que hoje está revestido de cores precisou passar pelo silêncio das sombras. A vida não é por acaso. Ela é fruto do processo que a encaminha sem pressa e sem atropelos a um destino que não finda, porque é ciclo que a faz continuar em insondáveis movimentos de vida e morte. O florido sobre a terra não é acontecimento sem precedências. Antes da flor, a morte da semente, o suspiro dissonante de quem se desprende do que é para ser revestido de outras grandezas. O que hoje vejo e reconheço belo é apenas uma parte do processo. O que eu não pude ver é o que sustenta a beleza.

A arte de morrer em silêncio é atributo que pertence às sementes. A dureza do chão não permite que os nossos olhos alcancem o acontecimento. Antes de ser flor, a primavera é chão escuro de sombras, vida se entregando ao dialético movimento de uma morte anunciada, cumprida em partes.

A primavera só pode ser o que é porque o outono lhe embalou em seus braços. Outono é o tempo em que as sementes deitam sobre a terra seus destinos de fecundidade. É o tempo em que à morte se entregam, esperançosas de ressurreição. Outono é a maternidade das floradas, dos cantos das cigarras e dos assovios dos ventos. Outono é a preparação das aquarelas, dos trabalhos silenciosos que não causam alardes, mas que mais tarde serão fundamentais para o sustento da beleza que há de vir.


São as estações do tempo. São as estações da vida.


Há em nossos dias uma infinidade de cenas que podemos reconhecer a partir da mística dos outonos e das primaveras. Também nós cumprimos em nossa carne humana os mesmos destinos.

Destino de morrer em pequenas partes, mediante sacrifícios que nos faz abraçar o silêncio das sombras...

Destino de florescer costurados em cores, alçados por alegrias que nos caem do céu, quando menos esperadas, anunciando que depois de outonos, a vida sempre nos reserva primaveras...

Floresçamos.