" A vida humana é uma constante experiência de travessia. Estamos em êxodos contínuos, em processos de deslocamentos intermináveis, porque, enquanto estivermos vivos, seremos convidados para o movimento que nos proporciona a superação de estágios, condições e atitudes.
O seu humano se encontra em constante evolução. Nunca estará completo. A morte nos surpreenderá e ainda estaremos em processo de feitura. Um destes processos é a travessia: " da condição de indivíduos à condição de pessoas". É simples. Nascemos indivíduos, mas a condição de pessoa é um lugar a ser alcançãdo. precisamos, pela força do parefeiçoamento, chegar aos dois pilares sobre os quais o conceito de pessoa se estabelece. Ser pessoa consiste em " dispor de si e dipor - se aos outros".
O sequestro da subjetividade é um acontecimento que atenta diretamente contrea o primeiro aspecto deste processo: " a disposição de si".
Toda relação que priva o ser humano de sua disposição de si, de sua presença, ou seja, a capacidade de administrar a própria vida, de alguma forma caracteriza - se como " sequestro da subjetividade".
(...) Sempre que uma pessoa é retirada de seu mundo particular, e subjugada aos maus tratos de um cativeiro, inicia - se nela um processo terrível de rendição que a colocará na condição de vítima. Vitimada, deixa de ser proprietária de seu destino e passa a obedecer às ordens de seu sequestrador.
A partir dessa forma de sequestro nasce o mal - estar psicológico, o sofrimento que não tem localidade no corpo, mas possui o poder de adoecê - lo, fragilizando profundamente o ser que sofre, uma vez que o sequestro lhe retira da centralidade de suas próprias decisões.
São muitas as modalidades de sequestro da subjetividade. Qualquer forma de relação humana corre o risco de se transformar em roubo, perda de identidade, basta que as partes se percam de seus referenciais e se ausentem de si mesmas. Marido e mulher, namorados, pais e filhos, traficantes e dependentes, amigos, dirigentes e dirigidos, enfim, são muitas as relações que representam perigo à nossa subjetividade. Requer prudência, cautela, para que não sejamos vítimas ou vitimadores"...
Eis uma história para começar....
Fonte: Livro Quem me roubou de mim? O sequestro da subjetividade e o desafio de ser pessoa - Padre Fábio de Melo
sábado, 21 de março de 2009
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