Estou de férias novamente. 30 dias. Engraçado que a maioria das pessoas acha um absurdo qdo tiramos férias. Imagine é um direito seu e existem pessoas que se sentem ofendidas pq precisam trabalhar enquanto vc " vai vagabundar". Detesto essa expressão Vagabundar. Não gosto mesmo. Ela me irrita, faz com que eu me recorde de palavras duras... enfim n gosto mesmo. Há quem diga que é uma expressão inocente, mas ela n é usada por exemplo para elogiar ninguém, na grande maioria das vezes é dita em tom de desdém, de raiva, para simplesmente mostrar que o ser ofendido n vale nada....
Estou de féria sim, 30 dias, posso dormir até tarde, posso ler quantos livros eu quiser, posso subir a serra e ter a visão panorâmica da minha cidade. Posso (mas n subo a serra pq lá virou ponto de bandido, além de ter sido palco de uma tragédia(uma nada várias) ).
Tenho pensado muito nas coisas que tenho presenciado no trabalho, em minha casa, com meus amigos, enfim em tudo o que me rodeia. Do final do ano passado pra cá presenciei algumas experiencias chocantes: uma mãe que deu a filha para adoção pq n se sentia mãe da criança, mortes, nascimentos, agressões, a filha que fugiu com a roupa do corpo pq n aguentava mais ser agredida fisica e moralmente, pessoas que se julgam acima da lei, que acreditam que podem fazer e acontecer que nunca serão presos ou nunca pagarão. Talvez por ter esse ou aquele amigo importante.
O ser humano é tão complexo, acho que é por esse motivo que gosto de observar.
quarta-feira, 1 de abril de 2009

"A gente pode
morar numa casa mais ou menos,
numa rua mais ou menos,
numa cidade mais ou menos,
e até ter um governo mais ou menos.
A gente pode
dormir numa cama mais ou menos,
comer um feijão mais ou menos,
ter um transporte mais ou menos,
e até ser obrigado a acreditar mais ou menos no
futuro
A gente pode
olhar em volta e sentir que tudo está
mais ou menos.
Tudo bem.
O que a gente não pode,
mesmo, nunca, de jeito nenhum,
é amar mais ou menos,
é sonhar mais ou menos,
é ser amigo mais ou menos,
é namorar mais ou menos,
é ter fé mais ou menos,
e acreditar mais ou menos.
Senão a gente corre o risco de se tornar
uma pessoa mais ou menos".
Chico Xavier
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Poesias
quinta-feira, 26 de março de 2009
"Penso que nunca acreditei nas poucas palavras de amor que me disseste ou nas muitas que n ousaste pronunciar; como era complicada minha maneira de te amar! Agora entendo o quanto te fiz sofrer, e quanta coisa joguei fora para mante - las longe de nós.Por alguns momentos, acreditei que tudo o que foi afastado jamais retornaria. Então perguntei as nossas almas se tinha razão. Não escutei nenhuma resposta imediata, mas logo a visão de uma montanha apareceu diante de mim. E eu entendi que a culpa n tinha sido do meu coração, mas da falta dele.Peço perdão por tudo que tentei destruir, e pela dor que te causei. Meu amado, parece que n escrevo para vc, mas com vc. E os dias são mais tranquilos, porque vc está sempre ao meu lado.Nas serras, onde quer que se vá, pode - se escutar sempre o barulho da água correndo nos rios. Da mesma maneira, onde quer que eu esteja posso perceber os teus sentimentos fluindo por meu coração".
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Desilusão
quarta-feira, 25 de março de 2009
O equívoco do amor

A paixão é o resultado da primeira vista, dos primeiros detalhes do território encontrado, da mesma forma como a antipatia natural. A pessoa apaixonada vive uma experiência estranha de projetar o outro como o maior acontecimento de sua vida. É sempre assim. Todo apaixonado acha que agora encontrou o amor de sua vida. Mas, com o passar do tempo, se esse conhecimento não o conduzir ao encontro real, concreto, de defeitos e virtudes pelos quais ele ainda continua apaixonado, a paixão dá espaço à desilusão e ao rompimento. O amor só pode acontecer nas pessoas que atravessaram a ante - sala da paixão. Somente depois de conhecidos limites e virtudes é que o amor é real.
É por isso que as relações humanas são como pontes. estamos sempre em travessia. Há sempre uma distância a ser percorrida, um passo a mais a ser dado no conhecimento do outro.
Pontes são simbólicas. Elas estabelecem vínculos. Quanto mais construimos pontes, muito maior será a possibilidade de conhecermos verdadeiramente aqueles que fazem parte do nosso mundo.
É a atitude simbólica, que constrói e facilita os vínculos.
.... O rapaz pensou que amava. A moça estava certa do amor que sentia. Duas pessoas numa mesma relação e com perspectivas distintas. Namoro e casamento em um curto espaço de um ano. Ele, um advogado já bem sucedido, apesar da pouca idade. Ela, uma contadora formada que ainda não sabia o que fazer com o diploma que recebeu da faculdade.
O rapaz creceu num contexto de muitas exigências. Ele não fora educado para perder. Desde muito cedo fez da sua vida uma coleção de reconhecimentos e premiações. (...) Em casa, prevalecia uma frieza na relação com os pais. Amor real, mas amor distante, coisa de quem não descobriu a beleza de poder ser frágil e de ter um colo de mãe onde se possa chorar.
A moça ao contrário do rapaz, possuía uma fragilidade assumida. Cresceu num ambiente mais afetuoso, porém menos exigente.
os dois tinham riquezas ; os dois tinham pobrezas. E assim eles se casaram. A relação foi fortemente marcada por conflitos. Depois de alguns anos juntos, o casamento se desfez.
Relações dessa natureza são comuns entre nós. Sequestros velados. Pessoas que, na incapacidade de compreender os limites de suas histórias pessoais, passam a buscar nos outros os preenchimentos de suas lacunas. Amores que não são amores. Amores que se caracterizam como competições sórdidas, desumanas, ainda que pareçam cuidado e atenção.
Nem sempre nossas intenções são conscientes. Nem sempre agimos com clareza. Boa parte de nossas reações e atitudes obedecem à ordem de nosso mundo inconsciente, em que a vida passada permanece atuando e determinando nosso jeito de ser. Tomar consciência das intenções que norteiam nossos atos é o primeiro passo para reorientarmos nossa conduta, retirando do amor que amamos o poder tão destruidor que tantas vezes lhe é inerente.
(...) O casamento se desfez e o fracasso se instaurou de forma avassaladora.
Não houve tempo para o amor real. O que houve foi a construção de uma realidade fortemente marcada pelo desconhecimento pessoal. Relação diabólica, infértil e imatura. Ambos perderam.
Fonte: Livro: Quem me roubou de mim? O sequestro sa subjetividade e o desafio de ser pessoa.
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O Sequestro da Subjetividade
sábado, 21 de março de 2009
Uma história para começar

"Ela veio de longe. Filha de uma família libanesa, chegou ao Brasil acompanhada de um parente distante. Os pais já estavam mortos. Veio ao encontro de um tio que morava por aqui. A idade era pouca. A solidão muita. Chegou, e já tinham arranjado um casamento para ela. Não soube se opor. Estava frágil demais para querer alguma coisa. Casou - se na primeira semana que pisou em nossas terras.
Trinta de dois anos se passaram. Oito filhos; sete homens e uma mulher. Cinco netos e uma história de sofrimento que parece ter saído de algum clássico da literatura. Nunca houve amor entre ela e o marido. Nos primeiros dias de convivência ele deixou claro, por meio da sua conduta, que a vida ao seu lado não seria fácil. Ela não soube discordar. As primeiras agressões foram mantidas em segredo. Mais tarde, elas se tornaram públicas. Pouco a pouco, o respeito deixou de existir por completo.
A mulher não sabia sorrir. Em nenhum momento de nossa conversa consegui identificar nela algum rastro de alegria ou esperança. Os filhos já criados herdaram do pai a mesma personalidade. A única filha mulher rebelou -se contra a estrutura familiar e foi embora para nunca mais voltar.
A mulher não sabia o que me pedir. Esta profundamente abatida com a morte trágica de seu marido. Estava confusa. Sentia no peito um alívio, mas ao mesmo tempo sentia o peso de não saber por onde recomeçar. Confessou ter medo de tudo. Medo da vida, medo da morte, medo dos filhos, medo do marido morto.
Suas noite de sono eram poucas. Vivia constantemente anciosa, como se o marido fosse voltar a qualquer momento. ouvia os seus gritos, e tinha sempre a sensação de que ele estava andando pela casa.
(...)
Ela foi vítima de um sequestrador. Foi vítima de um roubo cruel. Não, não foi um roubo material, mas um roubo mais profundo. O sequestrador chegou no momento em que sua vida estava frágil. Descobriu nela uma vítima fácil. Agiu de forma violenta. No princípio, uma violência velada; depois, a violência declarada, gritada para quem quisesse ouvir.
Sem muitas possibilidades na vida, a mulher submeteu - se ao tratamento cruel; assumiu a condição de vítima. Com o tempo, desaprendeu a ser livre. Mesmo agora, com as portas de seu cativeiro abertas e sem a ameaça de seu agressor, ela não sabia mais dar o passo em direção à liberdade que lhe cabia. A violência foi tão profunda que, mesmo com a morte do sequestrador, ele ainda mantinha sua vítima acorrentada.
Este é um caso clássico de sequestro da subjetividade; esta espécie de roubo da alma; este absurdo que costuma morar ao nosso lado, ou dentro de nós"....
Fonte: Livro Quem me roubou de mim? O sequestro da subjetividade e o desafio de ser pessoa - Padre Fábio de Melo
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O Sequestro da Subjetividade
Quem me roubou de mim. Uma pequena introdução
" A vida humana é uma constante experiência de travessia. Estamos em êxodos contínuos, em processos de deslocamentos intermináveis, porque, enquanto estivermos vivos, seremos convidados para o movimento que nos proporciona a superação de estágios, condições e atitudes.
O seu humano se encontra em constante evolução. Nunca estará completo. A morte nos surpreenderá e ainda estaremos em processo de feitura. Um destes processos é a travessia: " da condição de indivíduos à condição de pessoas". É simples. Nascemos indivíduos, mas a condição de pessoa é um lugar a ser alcançãdo. precisamos, pela força do parefeiçoamento, chegar aos dois pilares sobre os quais o conceito de pessoa se estabelece. Ser pessoa consiste em " dispor de si e dipor - se aos outros".
O sequestro da subjetividade é um acontecimento que atenta diretamente contrea o primeiro aspecto deste processo: " a disposição de si".
Toda relação que priva o ser humano de sua disposição de si, de sua presença, ou seja, a capacidade de administrar a própria vida, de alguma forma caracteriza - se como " sequestro da subjetividade".
(...) Sempre que uma pessoa é retirada de seu mundo particular, e subjugada aos maus tratos de um cativeiro, inicia - se nela um processo terrível de rendição que a colocará na condição de vítima. Vitimada, deixa de ser proprietária de seu destino e passa a obedecer às ordens de seu sequestrador.
A partir dessa forma de sequestro nasce o mal - estar psicológico, o sofrimento que não tem localidade no corpo, mas possui o poder de adoecê - lo, fragilizando profundamente o ser que sofre, uma vez que o sequestro lhe retira da centralidade de suas próprias decisões.
São muitas as modalidades de sequestro da subjetividade. Qualquer forma de relação humana corre o risco de se transformar em roubo, perda de identidade, basta que as partes se percam de seus referenciais e se ausentem de si mesmas. Marido e mulher, namorados, pais e filhos, traficantes e dependentes, amigos, dirigentes e dirigidos, enfim, são muitas as relações que representam perigo à nossa subjetividade. Requer prudência, cautela, para que não sejamos vítimas ou vitimadores"...
Eis uma história para começar....
Fonte: Livro Quem me roubou de mim? O sequestro da subjetividade e o desafio de ser pessoa - Padre Fábio de Melo
O seu humano se encontra em constante evolução. Nunca estará completo. A morte nos surpreenderá e ainda estaremos em processo de feitura. Um destes processos é a travessia: " da condição de indivíduos à condição de pessoas". É simples. Nascemos indivíduos, mas a condição de pessoa é um lugar a ser alcançãdo. precisamos, pela força do parefeiçoamento, chegar aos dois pilares sobre os quais o conceito de pessoa se estabelece. Ser pessoa consiste em " dispor de si e dipor - se aos outros".
O sequestro da subjetividade é um acontecimento que atenta diretamente contrea o primeiro aspecto deste processo: " a disposição de si".
Toda relação que priva o ser humano de sua disposição de si, de sua presença, ou seja, a capacidade de administrar a própria vida, de alguma forma caracteriza - se como " sequestro da subjetividade".
(...) Sempre que uma pessoa é retirada de seu mundo particular, e subjugada aos maus tratos de um cativeiro, inicia - se nela um processo terrível de rendição que a colocará na condição de vítima. Vitimada, deixa de ser proprietária de seu destino e passa a obedecer às ordens de seu sequestrador.
A partir dessa forma de sequestro nasce o mal - estar psicológico, o sofrimento que não tem localidade no corpo, mas possui o poder de adoecê - lo, fragilizando profundamente o ser que sofre, uma vez que o sequestro lhe retira da centralidade de suas próprias decisões.
São muitas as modalidades de sequestro da subjetividade. Qualquer forma de relação humana corre o risco de se transformar em roubo, perda de identidade, basta que as partes se percam de seus referenciais e se ausentem de si mesmas. Marido e mulher, namorados, pais e filhos, traficantes e dependentes, amigos, dirigentes e dirigidos, enfim, são muitas as relações que representam perigo à nossa subjetividade. Requer prudência, cautela, para que não sejamos vítimas ou vitimadores"...
Eis uma história para começar....
Fonte: Livro Quem me roubou de mim? O sequestro da subjetividade e o desafio de ser pessoa - Padre Fábio de Melo
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quinta-feira, 19 de março de 2009
Poetas e Poetisas

ESPELHO
Sou prata e exato.
Eu não prejulgo.
O que vejo engulo de imediato
Tal qual é, sem me embaçar de amor ou desgosto.
Não sou cruel, tão somente veraz —
O olho de um deusinho, de quatro cantos.
O tempo todo reflito sobre a parede em frente.
É rosa, com manchas. Fitei-a tanto
Que a sinto parte de meu coração. Mas vacila.
Faces e escuridão insistem em nos separar.
Agora sou um lago.
Uma mulher se inclina para mim,
Buscando em domínios meus o que realmente é.
Mas logo se volta para aqueles farsantes, o lustre e a lua.
Vejo suas costas e as reflito fielmente.
Ela me paga em choro e agitação de mãos.
Sou importante para ela. Ela vai e vem.
A cada manhã sua face reveza com a escuridão.
Em mim afogou uma menina, e em mim uma velha
Salta sobre ela dia após dia como um peixe horrendo.
(tradução de Vinicius Dantas)
Sylvia Plath nasceu em Boston, EUA, em 1932. Teve uma passagem melancólica por Nova York, tentou o suicídio por mais de uma vez, casou em 1956 com o poeta inglês Ted Hughes, foi com ele para Cambridge, Inglaterra. Teve dois filhos. Descasou em 1962, escreveu seus poemas capitais, publicados postumamente no volume Ariel (1965), sua obra mais importante. Dois anos antes, em 1960, lançara o seu primeiro livro, Colossus.
Em 11 de fevereiro de 1963, Sylvia Plath aos 30 anos de idade cometia suicídio inspirando gás na cozinha de sua residência.
Em 11 de fevereiro de 1963, Sylvia Plath aos 30 anos de idade cometia suicídio inspirando gás na cozinha de sua residência.
(publicado no jornal "A Província do Pará" em 1983, na coluna literária GRÁPHO do poeta Age de Carvalho)
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